
Em uma encabulada manhã de final de inverno,
fui surpreendida pela visita do meu amigo querido que,
sem
mais nem menos, resolveu desapareceu do meu
convívio diário. Nossa! Revivi! Porém, antes de seu
retorno e após a separação inesperada, a tristeza e a
solidão aportaram em minha alma e comecei a sentir
como se estivesse afundando numa areia movediça.
Sim. Literalmente. Seu afastamento deixou-me carente
pela ausência de seu apoio em ouvir os meus lamentos,
e principalmente pelo olhar de infinita solidariedade ao
ver-me aturdida pelos fatos vividos que atormentavam
minha mente indecisa. Atônita, indagava-me: “E agora?
Quando necessitar de uma palavra amiga... Para quem
pedirei ajuda? Por que justo agora ele resolveu evaporar
e desaparecer de minha vista? Ingrato! Ingrato, sim! É
o que ele é”. Quantas e quantas vezes, debruçada
no parapeito da janela, eu cantei com voz chorosa:
“Cadê você/cadê você/você...”. Enrouqueci.
E
assim,
permaneci. Praticamente muda. Desinteressada do
corre–corre do cotidiano estressante, num estado
de alma de fazer dó. Murchei. Perdi a noção dos
dias... Perdi, sim. Totalmente.
Porém como o carrossel que gira incansavelmente no
parque de diversões alegrando os corações das crianças
e das pessoas em geral, assim é a vida, e felizmente,
um belo dia ao acordar e abrir a janela do meu quarto...
quase desmaiei! Literalmente... Q-u-a-s-e desmaiei!, pois
a alegria reencontrou guarida em meu coração e o vazio
foi preenchido pela felicidade total e irrestrita. O motivo
da minha mudança de espírito, nem preciso dizer...
Sim. Sim. Foi à volta do meu querido amigo! Feliz pelo
seu retorno e ao mesmo tempo curiosa, eu confabulei:
“Por que justamente hoje, ele resolveu aparecer? Será
que ouviu os meus lamentos... Pressentiu meu
sofrimento, minha solidão? Creio que sim. Ou talvez
tenha sido pela proximidade da primavera...? Eureca!
Respondi de prontidão. Sim. Bem lembrado!
Conclui”. O que importa é que voltei das
profundezas do mar revolto; pois tudo passa... como a
própria ressaca do mar. Agora é viver muito, muito
sim,
e dar as boas vindas ao meu amigo que enfeita e alegra
minha vida. Cantante, eu
estou. - Bem-vindo de volta,
meu lindo pássaro vermelho.
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