00. ARTES
Ver para entender
Ruberli Angelo

A análise da composição plástica sempre gerou a controvérsia da aceitação pública. A ambigüidade gerada pela capacidade de seduzir ou desconfortar o espectador dá ao objeto artístico a resposta para, pelo menos, a avaliação e absorção do seu conteúdo, o que já o transforma em elemento de participação da realidade. Sendo assim, depois de inserido no universo humano tanto pela sua criação como pelo seu apelo estético, o elemento de expressão passa para a categoria dos réus por ser continuamente julgado como culpado ou inocente, expressivo ou indiferente, sofisticado ou vulgar, belo ou hediondo e todas as outras definições peculiares que compõem o processo de avaliação.

 Como não participar dessa capacidade única humana de interferir no sentido da criação a partir do valor que lhe atribuímos? Do momento em que nos envolvemos no processo de observação da arte, já começamos a buscar respostas e soluções que delimitem o que vemos no significado do compreensível; que nos facilita a absorção. Para isso, é necessário associar a nova informação a toda variedade quase infinita de significados e significantes que já trazemos como bagagem na nossa formação humana. Alem do mais, torna-se quase impossível desassociar nossa opinião do nosso histórico estético e pessoal na síntese que formaremos; o que contribui mais ainda para um veredicto tendencioso e peculiar.

Para facilitar e contribuir com as classificações que deliberamos, optamos pela simplicidade das escolhas que definem de forma prática, porém limitada, o valor que agregaremos nas nossas considerações. Então tudo se torna feio ou bonito, harmônico ou incômodo, funcional ou desnecessário. Observo com certo pesar que, na volatilidade do pensamento contemporâneo, nada mais em alta do que essas limitações simplistas. Não apuramos as variações tão complexas que acompanham todo e qualquer objeto confeccionado pela criatividade humana, e estabelecemos tendenciosamente os valores que nos são importantes como referências para a descrição da arte. Sem a investigação apurada e o levantamento pertinente, qualquer opinião torna-se particular e pejorativa. Não quero com isso afirmar que não exista a definição do realmente ruim; quero apenas duvidar das opiniões tão conclusivas que não permitem a dialética.  

Como Artista Plástico e consumidor do universo artístico, acredito piamente na afirmação trágica, mas não por isso menos verdadeira, de que o tempo tudo destrói. Ou pelo menos transforma e reestrutura, cabendo ao homem reinterpretar ou redefinir com outros valores, diferentes da temporalidade da criação.