A análise da composição plástica sempre gerou a
controvérsia da aceitação pública. A ambigüidade gerada
pela capacidade de seduzir ou desconfortar o espectador
dá ao objeto artístico a resposta para, pelo menos, a
avaliação e absorção do seu conteúdo, o que já o
transforma em elemento de participação da realidade.
Sendo assim, depois de inserido no universo humano
tanto pela sua criação como pelo seu apelo estético, o
elemento de expressão passa para a categoria dos réus
por ser continuamente julgado como culpado ou
inocente, expressivo ou indiferente, sofisticado ou
vulgar, belo ou hediondo e todas as outras definições
peculiares que compõem o processo de
avaliação. Como não participar dessa
capacidade única humana de interferir no sentido da
criação a partir do valor que lhe atribuímos? Do
momento em que nos envolvemos no processo de
observação da arte, já começamos a buscar respostas e
soluções que delimitem o que vemos no significado do
compreensível; que nos facilita a absorção. Para isso, é
necessário associar a nova informação a toda variedade
quase infinita de significados e significantes que já
trazemos como bagagem na nossa formação humana.
Alem do mais, torna-se quase impossível desassociar
nossa opinião do nosso histórico estético e pessoal na
síntese que formaremos; o que contribui mais ainda para
um veredicto tendencioso e peculiar. Para
facilitar e contribuir com as classificações que
deliberamos, optamos pela simplicidade das escolhas
que definem de forma prática, porém limitada, o valor
que agregaremos nas nossas considerações. Então tudo
se torna feio ou bonito, harmônico ou incômodo,
funcional ou desnecessário. Observo com certo pesar
que, na volatilidade do pensamento contemporâneo,
nada mais em alta do que essas limitações simplistas.
Não apuramos as variações tão complexas que
acompanham todo e qualquer objeto confeccionado pela
criatividade humana, e estabelecemos tendenciosamente
os valores que nos são importantes como referências
para a descrição da arte. Sem a investigação apurada e
o levantamento pertinente, qualquer opinião torna-se
particular e pejorativa. Não quero com isso afirmar que
não exista a definição do realmente ruim; quero apenas
duvidar das opiniões tão conclusivas que não permitem a
dialética. Como Artista Plástico e consumidor
do universo artístico, acredito piamente na afirmação
trágica, mas não por isso menos verdadeira, de que o
tempo tudo destrói. Ou pelo menos transforma e
reestrutura, cabendo ao homem reinterpretar ou
redefinir com outros valores, diferentes da
temporalidade da criação.
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